Eu confesso que não levava fé. Todos os meus amigos e inimigos que já haviam visto, haviam dito que era imperdível, mas todos eles eram beatlemaníacos. Então eu achava que era coisa de fã incondicional e que eu, apenas fã, não amaria.Mordi a língua.
Digamos que você sai do teatro com vontade de ter vivido nos anos 60, de ter experimentado a euforia do iê-iê-iê, de ter acompanhado cada lançamento dos rapazes de Liverpool e a evolução daquelas carreiras únicas.
Cada arranjo que começa representa um arrepio novo. O encontro das minhas favoritas Yesterday e Let It Be é um momento mágico, um Here There Everywhere quando você acha que já tinha acabado, o final apoteótico com All You Need Is Love, as coreografias engraçadas de "Obladi-oblada", Hard Day's Night e Yellow Submarine, os gritos a la Mariah Carey em Something, a simplicidade da Delia cantando In My Life ao piano... não dá para eleger só um momento de destaque! Tudo é tão bem executado, tão... tão!!!
Claro que eu me identifiquei demais com aquilo. O início a capella é ou não é exatamente o que a Fantástica Fábrica de Cantores faz? Tá, nós estamos engatinhando e eles são o maior sucesso da temporada - comprovado pelo salgado preço de 70 reais do ingresso. Mas ver e ouvir aquilo, sabendo o trabalho que dá para fazer, dá um toque especial de solidariedade e admiração. Os arranjos são fantásticos, as músicas intercaladas, os medleys, tudo é muito bem pensado e orquestrado com maestria. As vozes são redondas, as notas perfeitas - salvo um ou outro desvio de semitom, totalmente desculpável e praticamente imperceptível para os ouvidos não tão críticos -, muita técnica, muito treino, um invejável controle de respiração, e talento de sobra: aquela galera canta demais!
Só digo que quero ver de novo. E quero em DVD pra mostrar pros netos que eu talvez nem tenha. E quando eu crescer, quero fazer alguma coisa igual.